Tá bom que o mundo tá louco mesmo, e já faz tempo que a gente sabe disso... Mas tem coisa que ainda surpreende.
Estava eu no caixa do supermercado (brincando de ser dona-de-casa!), mais precisamente no caixa 31, quando, de repente, não mais que de repente, a caixa registradora do caixa 29 tem um curto-circuito e pega fogo.
Tá gente, não foi uma labareda, não foi uma explosão, foi só um curto com faísca e cheiro de fio queimado, e um pouquinho, um pouquinho mesmo, de fogo em alguma coisa plástica que estava por perto e que, ao terminar de queimar, acabou a chama.
Eu, ao ver aquilo, peguei minhas sacolas e saí, tranqüila e normalmente em direção à porta do mercado, porque eu nem ia ficar pra apagar porque não sou bombeiro, e nem correr porque minha vida não estava em risco e eu estava de salto.
Agora calcula o vuco-vuco, o estardalhaço que não foi!
Foi uma gritaria, um corre-corre... Gente gritando FOGO!, gente se atropelando, tava mais fácil morrer pisoteado do que morrer queimando! E gente que nem tinha visto o fogo dizendo que tinha começado perto do botijão de gás da padaria (que fica a uns 150 metros do caixa que pegou fogo!)
Até que alguém gritou: “É a nova gripe, tem um doente lá dentro espirrando!”
Aí, meus amigos, foi uma cena dantesca!
Esqueci de comentar a quantidade de gente de máscara passeando pelo shopping. Sim, de máscara e passeando!
Voltando à tragédia do incêndio no Carrefour.
Quando consegui sair pela porta, meio que rindo, meio que querendo matar a louca que estava com um carrinho atrás de mim (rindo e amando a confusão!) e que quase decepou meu calcanhar (vou fazer um post sobre isso! As pessoas não sabem que DÓI bater com o carrinho de mercado nos calcanhares da outras? Isso deveria dar cadeia!) foi que eu vi algo que jamais sairá da minha memória - infelizmente. Vi uma senhora, que sacou um celular da bolsa de feira, e que ligou a cobrar pra alguma conhecida ou parente, e sorrindo de satisfação dizia:
- "Cê nem sabe (risos) eu to aqui no Carrefour e ta pegano fogo (mais risos de satisfação), sorte que eu cheguei e consegui vê! Ó, e parece que tem alguém com aquela gripe de porco tamém. Eu te ligo depois e te conto melhor (mais risos de satisfação). Tchau!"
A que conclusões eu chego?
1 - As pessoas amam quando acontece algo que elas podem contar que presenciaram e que sobreviveram, mas que na verdade, não oferece o menor risco.
2 - A vida das pessoas é mesmo muito vazia e monótona, pois 99% dos presentes se divertiram ao simular pânico e situação de risco, numa alucinação coletiva imbecil.
3 – É exatamente disso que a mídia se alimenta.